FILMES, INSPIRAÇÃO

Sobre o melhor filme que você vai assistir este ano: Capitão Fantástico

13 de fevereiro de 2017
Capitão Fantástico

Penso que filmes bons são aqueles que esperamos ansiosos pelo dia da estreia. Damos risadas, ficamos agoniados e ainda saímos comentando sobre o efeito especial que poderia ter sido melhor. Apesar de saber da tecnologia e milhares de dólares por trás de tudo, parece que nunca é suficiente. A meu ver, estes são bons filmes.

Mas, e quanto a um filme excelente, maravilhoso, sensacional e todo e qualquer outro adjetivo existente e cabível a tal significado?

Considero um filme digno de tais atributos, quando ele não só meramente nos entretém. Mas também incomoda, provoca e propõe alguma reflexão. Por mais saturada ou redundante que ela seja, ainda é válida.

E é exatamente isso que senti ao assistir Capitão Fantástico! Um filme que me levou a sair de casa em um sábado chuvoso, sozinha e feliz. Mas voltar para casa indignada e arrependida. Não, não por causa do filme (ufa). Mas porque, aleatoriamente, resolvi tomar um café antes da única sessão do dia e acabei perdendo a hora.

Obs.: Antes de continuar vale lembrar que, a partir de agora, este texto não se trata apenas de uma boa dica para além do Netflix da vida. Mas também como uma breve história de persistência e determinação da jovem que vos fala.

Fui para casa triste, mas disposta a assistir Capitão Fantástico, como e por quanto fosse necessário.

Tal como após uma briga de recentes namorados, resolvi dar um tempo e esquecer do Capitão Fantástico. Até que, ao assistir o trailer pela terceira vez, encontrei o filme completo e com boa qualidade disponível na internet.

Sim, também acho que talvez não tenha sido a melhor escolha. Mas situações desesperadas pedem medidas desesperadas.

Capitão Fantástico, o filme

Assisti Capitão Fantástico em três etapas no intervalo do trabalho. A ansiedade não me deixou esperar pelo conforto de casa com a minha boa internet.

Após três longos dias, a hipótese se comprovou: este seria/é/foi o melhor filme que assisti este ano.

Mas seria mesmo preciso toda essa firula em torno de um simples filme? Sinceramente, não. Mas minha amiga e dona desse blog lindo, vai entender e se alguém estiver lendo, também. Sou nova nisso e confesso que me empolguei.

Capitão Fantástico é um filme singular, mas profundo. Capaz de nos fazer sentirmos culpados ou até pesarosos por fazer parte de tudo que Ben e Leslie tentam proteger de seus filhos.

 

Capitão Fantástico

 

Todavia, a questão aqui não é esta. Não se trata de uma apologia proclamada da operação “bora largar tudo aqui e morar no mato”. E, por mais que essa realmente seja a escolha de vida de alguns, é uma ilusão pensar que deste modo poderíamos nos isentar totalmente da sociedade e desconstruir tudo o que somos até então.

Acredito que o grande trunfo de Capitão Fantástico está na sinceridade e na solidez das relações intrafamiliares ali estabelecidas. Uma honestidade plena que, independe de quem se trata ou da situação em si, aliada a uma ausência de hipocrisia tão bela aos olhos de quem vê que chega a parecer impossível imaginá-la no mundo contemporâneo.

Aos poucos, o filme vai revelando a perspicácia e a maturidade presente em cada um dos personagens da família. Ao passo que também desvela as curiosidades e despreparo para a vida em uma sociedade pós-moderna-fascista-capitalista e tudo mais que a família tanto rechaça.

Acontece que, por fim, juntos todos encontram uma solução para o dilema – obviamente não vou contar qual foi – que expressa como é possível vivermos em harmonia coletiva sem abandonar os princípios que, para nós, são fundamentais em nossa vida.

Capitão Fantástico levanta questões como:

  • A responsabilidade e a co-responsabilidade do papel que ocupamos atualmente na família e na sociedade.
  • A relação e uso da natureza e recursos disponíveis no ambiente que nos circunda.

E mais: relação com a cultura e artes, hábitos alimentares, desenvolvimento cognitivo na infância, relação escola tradicional x aprendizado, consumismo, formas de organização político-sociais, etc.

Enfim, como dizem, fica aqui a dica para quem procura um bom filme para assistir. Um filme que mesmo sem muitas surpresas, efeitos especiais ou final trágico – como nos grandes sucessos de bilheteria – sem dúvida, nos leva a parar e pensar um pouquinho mais sobre questões presentes na vida do homem contemporâneo.

Duvido que você também não consiga se imaginar, ao menos durante alguns segundos, vivendo como a Família Cash.

Fique agora com o trailer de Capitão Fantástico, o filme do ano!

Descrição técnica:

Título original: Captain Fantastic
Data de lançamento: 22 de dezembro de 2016
Duração: 1h 58min
Direção: Matt Ross

 

Depois me conta o que achou!

 

E não deixe de visitar o Pinterest A.EMILIA.
Lá eu separei diversas inspirações pra você!

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4 Comments

  • Reply Marcia 14 de fevereiro de 2017 at 17:01

    Oi, Bruna.

    Amei a sua crítica ao filme, ele realmente é demais. Parabéns!

    • Reply Bruna Rosa 15 de fevereiro de 2017 at 12:33

      Oi Marcia! Que bom que você gostou 🙂
      Nós da psico somos suspeitas para falar, gostamos de assistir filmes que ilustram diferentes formas de relação com o mundo. Mas realmente achei esse especial na forma como retrata outras possibilidades de relações intrafamiliares.

  • Reply Kim 20 de fevereiro de 2017 at 10:15

    Esse filme tá na minha lista de espera mesmo antes de sair. No bom estilo “Na natureza selvagem” (“Into the wild”), certamente esse filme vai me pegar martelando a cabeça por um bom tempo. Se antes dele, eu já me questiono sem limites ao modo de vida que levo, quero ver depois de mais um banho de reflexão que virá quando assistir. É exatamente o tipo de filme que eu amo.

    Gostei da análise também, Brosa! Bejõins!

  • Reply Charlotte Russe coupons 5 de abril de 2017 at 05:28

    You probably will notice the rather surprising amount of German vocabulary that has found its way into Polish — bursztyn for amber, z.B. The guy who brings your meal in a restaurant is the kelner, and when you’re done you ask him for the rachunek. The head of a town government is the burmistrz, and his office is in the ratusz. Und so weiter. There’s also been a small flow in the other direction. Grenze is derived from the Polish granica. (It was Gene Schwaab who pointed that out to me. Kluge confirms it.) Have a wonderful time!

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